Velejar de Hydrofoil por Renato Haddad

O kitesurf já existe há tempos com as modalidades de estilo livre, ondas, Race e mais recente, o Big Air.

No entanto, o que vem ganhando novos adeptos é a modalidade chamada Hydrofoil, o qual você veleja com uma prancha e uma quilha no formato de “T”.

Só tem um detalhe, você fica no ar, isso mesmo, fora da água, não há nenhum contato seu com a água, exceto quando você cai.

O princípio que a quilha exerce é o mesmo papel que uma asa de avião, ou seja, sustenta o peso da prancha e do velejador, empurrando para cima, e o estabilizador (parte traseira) ajuda no equilíbrio, claro que tudo isto conectado à fuselagem e ao mastro, o qual se encaixa na prancha.

Sendo assim, a primeira coisa que você pensa é na velocidade, no arrasto, no contato da prancha com a água.

Só o fato de não ter o contato da prancha com a água, o arrasto é menor, e consequentemente a velocidade aumenta.

Há diversos tipos de materiais para o foil, carbono, alumínio, titânio, tipos e tamanhos de asas, fuselagem, mastros, etc, mas isto é assunto para outro artigo.

Quais os pré-requisitos para se praticar?

Ter boa condição física, pernas resistentes e concentração. Se você já é velejador de outra modalidade de kitesurf, o manuseio da vela é tranquilo, porém, a prancha e o foil serão novidades.

Nada que algumas aulas com o equipamento correto já o deixe apaixonado pelo hydrofoil.

A experiência diz que na primeira aula, se estiver usando uma asa grande, você já irá flutuar sobre a água.

Concentração e foco é um aspecto chave nesta modalidade quando você estiver literalmente “voando”, digamos, velejar a 40km/h.

Isto é para manter a estabilidade do foil, equilíbrio do corpo, pois milímetros podem desestabilizar e o tombo é grande, sincronizar a vela, a barra, o hydrofoil, a respiração, enfim, há um conjunto de fatores de aprendizado, mas o principal é a persistência e a repetição.

No entanto, se você nunca praticou kitesurf, não indico começar no hydrofoil, pois saber manusear a vela é fundamental, antes de aprender a subir na prancha.

E idade não é desculpa, o esforço e impacto do Hydrofoil é infinitamente menor que nas ondas ou estilo livre.

Quais as condições para prática do Hydrofoil?

Costumo dizer aos amigos que com hydrofoil você irá velejar, basta ter o equipamento correto.

Isto é fato, com brisas de 5 knots já é possível velejar, isso mesmo, você vê a água praticamente parada, mas se usar uma vela grande, seja foil ou bexiga, terá diversão garantida.

Já o inverso, ou seja, com ventos muito fortes torna-se perigoso e desagradável.

Ventos acima de 25 knots com hydrofoil é só para velejadores experientes e corajosos. Para se ter uma ideia, no mundial que teve em São Francisco em julho/2018, o vento estava 30knots e as velas foils usadas foram 9m.

O fato é que a velocidade precisa ser calibrada no cérebro, o fato de tirar a prancha da água você já estará a 20 km/h, começou a andar, 25 km/h, estabilizou, 30 km/h, aí e só manter o quanto quiser.

No entanto, quando dominado o equipamento, aliado a uma dose de adrenalina, chegará a 40 km/h. O próximo passo é vencer os 45, 50 e chegar aos 60 km/h.

O recorde mundial de 82 km/h foi estabelecido pelo americano Johnny Heineken em julho/2018 no Hydrofoil Protour em São Francisco/EUA.

Veja alguns exemplos de kites foils:

Qual o melhor caminho para velejar de Hydrofoil, lagoa ou mar?

Sem dúvida inicie na lagoa ou em águas calmas, assim evita preocupações com ondas, vagalhões e profundidade.

Aqui em Floripa, a lagoa da Conceição é melhor lugar para se aprender, água sempre calma, lisa, e há várias áreas de escape, caso dê algum problema.

No mar, se for em condições sem ondas, melhor ainda, pois a água salgada ajuda na flutuação e velocidade.

Caso tenham ondas, o primeiro desafio é entrar no mar com o foil, sempre é uma negociação. Depois tem as ondas e as correntes, estes dois fatores associados à velocidade precisam ser assimilados pelo velejador para ajudar no velejo e não contra.

Uma situação clássica de iniciante no mar é velejar cortando as ondas com o foil, o que muitas vezes resultam em tombos porque o foil perde o contato com a água.

Imagine um mar com vagalhões de 1m e você arribando a 20-25 km/h, a cada intervalo de onda o foil estará quase no limite de perder o contato com a água, e o resultado você já sabe.

Então, quando estiver começando de foil no mar, observe este intervalo e tente se adaptar abaixando (peso na perna frontal) e levantando (peso na perna traseira) a prancha.

Ou se as condições permitirem, vá de través nestes intervalos, passando quase que em paralelo às ondas.

Uma dica que sempre é válida como primeiro contato com o foil, caso tenha oportunidade, é ser rebocado por uma lancha ou jet-ski.

Combine com um amigo, peguem uma prancha, um mastro pequeno (existem vários tamanhos) e uma asa grande, ajustem um tamanho de cabo curto, máximo de 8 metros, velocidade entre 15 e 19 km/h e teste.

Veja alguns tamanhos de mastros:

Talvez a parte de sair da água com o reboque você tenha dificuldade porque são muitas coisas a serem processadas, então, a dica infalível é pegar uma prancha grande que tenha flutuabilidade com você em pé, afinal o objetivo é aprender o controle do foil em si, e não ficar tentando subir na prancha.

Uma vez em pé, deixe a prancha em contato com a água o tempo que quiser, e quando se sentir seguro, dê uma bombeada na perna traseira para levantar a frente. Isto é tão sutil que com o tempo pegará o jeito.

E, caso tenha alça no pé da frente, tente levantar a frente da prancha puxando com o pé da frente. Mantenha-se no ar por alguns segundos, volte com a prancha na água, e repita este procedimento várias vezes.

Não esqueça de manter os joelhos sempre flexionados, são seus amortecedores.

O funcionamento é simples, se o peso estiver no pé traseiro, a prancha levanta a frente, e o contrário, peso no pé da frente, a prancha abaixa a frente.

Isto é o que você precisa mentalizar, então, no momento em que a prancha estiver no ar, vá testando o peso na frente até quase encostar na água, peso atrás ela levantará a frente.

Este é o primeiro controle, assimilar e dosar este equilíbrio é o que fará com que você flutue. Uma coisa garanto: a sensação é indescritível!

Uma vez dominada a prancha, a vela você já conhece os princípios e o funcionamento, resta apenas praticar e repetir sempre.

Nunca deixe de usar um capacete e um colete de impacto para protege-lo.

E, claro que aprender com um profissional capacitado é fundamental, portanto, procure nas escolas de kitesurf se dão aulas de Hydrofoil.

Fonte: www.gokite.com.br

By | 2018-09-10T22:49:34+00:00 setembro 10th, 2018|Notícias|